domingo, 12 de junho de 2011
lá vai ela...
com cheiro de dia
de fim de chance
de não ser o que queria
madrugada fria
mais uma vez a chegada no lar
entrada solitária
leve pisar
mais uma vez aquele dilema
a maquiagem que fica
e a ilusão de cinema
não tira a pintura
não tira a fiçura
de ser o que se sente
solidão ou loucura
um não inrustido
um muleque atrevido
uma balada sem lance
sorria e não canse...
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Mais um empurrão pra seguir
Sempre demonstrando amor, ela tinha o hábito de enviar poemas, poesias, textos, músicas, e ultimamente, cupcakes aos amigos.
Em 2007 ela enviou uma poesia que não era de autoria dela, enviou para Carla Ruas, sem nenhum motivo. Na poesia ela reforça tudo o que mostrou em vida, da maneira como via a morte.
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Procurando você...
Então, para ficar mais perto, escrevi.
De onde estiver, leia, é mais um poema pra você...
Dê Partida
A manhã não amanheceu direito.
O sol está triste e não brilha.
As nuvens vieram para acalantar o vento, que sopra tímido tentando consolar a grama.
As árvores já não apontam para o céu, curvadas, choram de saudade.
As aves não beijam a água do lago, que se move obrigada, como quem existe sem viver.
Os pássaros negros tentam colorir o ambiente passando entre as folhas secas caídas pelo chão.
As flores não se destacam nos galhos, ficam despercebidas em meio a imensidão que perdeu sentido.
Voando, eles ainda cantam.
Uma melodia sem beleza, um canto desafinado.
Minha memória conturbada de descrença da realidade, reprime a lembrança de alguma graça que já vi neste lugar.
Eu apenas estava procurando você e eu.
O barulho dos carros na avenida de cima fazem mais barulho que o canto dos passarinhos.
Tantas queixas, e não encontro meu contra-ponto, meu contra-canto para me escancarar sem medida e com calma e paixão o que há de bom em estar aqui.
Como saber se a gaivota que voou escandalosa sobre as águas,
Como saber se ela era você?
Sem os cabelos castanhos, longos, lisos com uma beleza transparente.
Como saber qual canto é seu, sem as palavras leves, cultas, mudas tantas vezes.
Porque acreditar que eu sou tanto a ponto de atrair aqui pela última vez, como em um segredo só nosso.
Como ter certeza de que a flor que caiu no meu papel foi você quem lançou para chamar minha atenção?
Ensina-me aos poucos a sentir sua presença nesta nova e cruel condição de tempo e solidão.